02-08-2010 às 21:26 Por Siih Em Pensamentos,Pessoal 7 Comentários

Em uma daquelas linhas de raciocínio que às vezes temos que começa em a e termina em y, me peguei tentando lembrar do nome de uma pessoa a muito esquecida por mim e a quem um dia eu plenamente detestei. No final me lembrei do nome do dito cujo e não só isso, me lembrei do motivo de odiá-lo e de uma ideia que era constante na minha cabeça: Eu não via a hora de crescer.

A minha situação naquela época (dos meus 11 a 13 anos, mais ou menos), não era incomum, tenho certeza de que todos já passaram por isso: Os malditos apelidos. Sempre tem alguém pra apontar que você se parece com algo e inventar um apelido que é engraçado pra todos, menos pra você. O meu era pinguim (sim, eu mereço… e não, não sei a que se deve até hoje!) e esse apelido foi meu inferno em vida durante muito tempo com direito a pessoas me zuando aonde quer que eu passasse com quem quer que eu estivesse, em sua grande maioria moleques sem ter mais o que fazer e também garotas que se faziam de minhas amigas, mas riam junto com os outros.

Eu me lembro claramente que tudo o que eu queria era sair da escola onde eu estudava e via todo dia as mesmas pessoas, a maioria que eu nem mesmo gostava e também não gostavam de mim, queria ficar mais bonita, ter mais corpo e ser como as garotas com as quais os garotos mexiam e não a que eles zuavam. Eu queria novas possibilidades, eu queria ser outra pessoa e não a sem graça que todos achavam que eu era. Eu me importava tanto que chorava e gritava com quem me xingava, o que só fazia aumentar a encheção de saco. A ideia fixa de crescer era porque eu queria ser outra pessoa e esfregar isso na cara de todo mundo um dia.

Bom, não foi exatamente isso que aconteceu quando eu “cresci”. Eu não virei a super mulher mega sucedida e hiper maravilhosa que deixou todos arrependidos de terem rido de mim como acontece nos filmes. A maioria dessas pessoas nem se lembra que fez isso (e eu também não faço questão de me lembrar delas). O que realmente mudou é que quando eu finalmente consegui sair “dali” (simplesmente mudar de escola no ensino médio) e pude conhecer outras pessoas, ter outras experiências, mesmo que nem todas boas e felizes, eu fui percebendo que não era exatamente eu que precisava mudar e a partir daí as coisas ficaram mais fáceis. Hoje eu vejo que quando eu não me preocupo tanto com a forma como os outros me vêem (o que infelizmente eu ainda faço), posso aproveitar mais as outras coisas da vida.

Na verdade, pra mim, o verdadeiro sentido de crescer é poder ter outra perspectiva da vida, de novo e de novo e de novo e não estar preso aquele pequeno mundo do qual tanto queremos fugir quando somos mais novos. A questão é que às vezes a gente demora muito pra perceber que não precisamos mesmo fugir pra não estarmos presos.
Às vezes eu sinto muita falta de ser criança e às vezes eu acho simplesmente maravilhoso continuar crescendo.

Beijos ;*

P.s.: Icon by Maxie

Tags:, ,